Artigos /  Paradigmas na Formação de Atletas (Samuel Alves de Oliveira)



Olá, Leitores! 

Primeiramente, gostaria de dar os parabéns ao meu amigo, Felipe Sá, pela nova plataforma para desenvolver a disseminação da informação e auxilio a todos que desejam aprender um pouco mais sobre a nossa modalidade. Fiquei extremamente honrado pelo convite para contribuir um pouco com todos. 
Mas vamos lá, quando falamos de trabalho com crianças existem, ainda, paradigmas sobre a formação, as pessoas acreditam que a melhor forma de desenvolvimento dos atletas é colocando-os para repetir de forma sistemática situações não correspondentes à realidade do jogo, por pensarem que a criança não possui a capacidade de responder a várias situações deixam de estimular os pequenos. Precisamos perceber os limites, porém, não podemos impor os limites, pois a criança está em desenvolvimento constante.
Segundo Gallahue, no desenvolvimento motor, a fase de 07 a 12 anos, compreende a fase motora especializada, estágio onde as atividades motoras fundamentais auxiliam na execução de atividades motoras complexas em situações crescentemente exigentes. Juntando ao que Piaget traz, que é um estágio onde já é possível que a criança seja capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade, devemos entender que elas estão abertas aos estímulos de desenvolvimento da modalidade, com capacidade para responder de forma qualitativa. Além disso, acredito que as crianças podem tudo, inclusive pensar de forma eficiente na execução das ações de jogo.
Outro paradigma é sobre o talento/dom, pois acreditam que é algo sobrenatural, adquirido por herança, mas ele é resultado das relações interdependentes entre as influências do ambiente e os indivíduos. O desenvolvimento motor, cognitivo e de especialização na modalidade “é um processo activo e interactivo, construído pelo sujeito em interacção contínua com o meio” (PIAGET), e essa interação é tão importante porque, segundo Cosenza e Guerra, “é ela que confirmará ou induzirá a formação de conexões nervosas e, portanto, a aprendizagem ou o aparecimento de novos comportamentos que delas decorrem”. Então, na formação é importante que os atletas tenham acesso a estímulos que sejam relacionados ao que eles fazem no jogo para seu desenvolvimento, levando em consideração, tanto os tipos, quanto a qualidade dos estímulos, mas é fundamental que interajam com o meio para que possam desenvolver a aprendizagem de forma orientada e progressiva, pois no processo de evolução do indivíduo, cada estágio é resultado de um anterior e preparatório de um próximo.
Enfim, acreditar que é possível estimular as crianças de formas variadas e que elas são capazes de se desenvolver é o primeiro passo para um caminho de constante busca e aperfeiçoamento profissional, pois quem deseja trabalhar desta maneira precisa perceber que o importante não são as atividades que se aplicam nos treinos, mas sim as informações que o treinador dá aos seus atletas. Podemos ter todas as atividades do melhor treinador do mundo, mas elas não surtirão os mesmos efeitos se não soubermos potencializar cada estímulo que ela possa proporcionar aos nossos atletas.

Samuel Alves de Oliveira
Instrutor de Formação Esportiva no Minas Tênis Clube
samuelfutsal89@gmail.com