Artigos /  Erros Conceituais na Transferência da Informação entre o Treinador de Goleiros e o Jovem Goleiro de Futsal (Rodrigo Neves)



“O goleiro em formação deve ser goleiro”. Então, o que é ser um jovem goleiro de futsal no contexto do jogo? Essa pergunta até pode parecer simples quando o profissional especializado não se atenta aos detalhes mais importantes, porém ao observar alguns jogos das categorias de base podemos perceber que a prática relacionada aos conceitos e treinamentos específicos vêm seguindo um caminho perigoso em relação ao produto final (seleção do melhor gesto esportivo / técnica / conceito).

O goleiro em formação tem sido “condicionado” a conceitos e gestuais que muitas vezes geram dúvidas na efetividade dos mesmos durante a partida.

Quando insisto mais uma vez que o jovem goleiro deve ser goleiro refiro-me as técnicas básicas que tem sido pouco utilizadas pelos treinadores de goleiro. Um bom exemplo prático e perturbador é a grande quantidade de gols sofridos, ocasionados por finalizações de curta, média e longa distância.

Não podemos achar normal que um jovem goleiro tenha grandes dificuldades para executar uma projeção ao solo (queda), seja ela rasteira ou meia altura. O treinamento serve para aprender, ensinar, melhorar e corrigir.

Outro bom exemplo relacionado ao assunto e que merece destaque é o enfrentamento 1x1 (saída em X ou em base). Em minha análise primária percebo que o jovem goleiro que atua nas principais equipes do Estado de São Paulo é praticamente imbatível quando se utiliza dessa técnica, é muito difícil notar um erro de execução na aplicação do conceito.

Penso que tanto na teoria como na prática é muito mais simples para o goleiro iniciante executar uma projeção ao solo (queda) do que ter a percepção, velocidade, leitura de jogo e o tempo certo para movimentar-se em direção ao jogador adversário diminuindo os espaços entre a bola (enfrentamento 1x1).

Ainda pegando o gancho em relação aos dois exemplos acima citados e fugindo propositalmente da zona de conforto, acho interessante que fiquem mais alguns questionamentos a serem discutidos por todos que trabalham com goleiros iniciantes, sendo eles:

- O que é efetivo e o que não é?

- Quais as vantagens e desvantagens?

- O que pode ser aplicado e o que não pode?

- Quais os resultados das aplicações dos principais conceitos / técnicas / gestos?

- Etc.

No meio de tantas perguntas e dúvidas é preocupante notar um desequilíbrio das informações nas rotinas de treinos das categorias formadoras, ou seja, treinam-se em demasia conceitos avançados e por consequência acabam abdicando do básico.

Sem dúvida é indiscutível que o cenário ideal para uma performance esportiva mais efetiva é conseguir que o aluno / atleta tenha um equilíbrio nas informações. Essas referências precisam ser harmônicas e bem divididas. O profissional que trabalha com o jovem goleiro precisa saber que toda técnica ou conceito é importante, jamais se esquecendo de respeitar a faixa etária e maturação do aluno / atleta.

Em resumo, é bom frisar mais uma vez que nada é “proibido” no treinamento do goleiro, desde que se tenha o mínimo de coerência, conhecimento e especificidade na aplicação dos conteúdos.

O treinador de goleiro é uma ferramenta importantíssima dentro de todo o processo de treinamento e jogo, e o jovem goleiro nada mais é do que um valioso diamante bruto a ser lapidado com todo o cuidado que merece.

Por tanto, considero que formar jovens goleiros de qualidade não é uma tarefa tão simples, e as equipes, escolinhas e clubes deveriam ter mais cuidado com os profissionais que fazem parte da Comissão Técnica e com o tipo de trabalho que vem sendo executado no dia a dia dos treinamentos.

É hora de reflexão!!!

“Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas em lembro. Envolva-me e eu compreendo.”

Confúcio

 

Autor: Profº. Esp. Rodrigo Neves Fernandes

Cref. 7106 – G/SP