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ANÁLISE ESTATÍSTICA DA TÉCNICA DO GOLEIRO COMO JOGADOR OFENSIVO NA COPA DO MUNDO DE FUTSAL DA FIFA – BRASIL 2008

Autores: EMANUEL DE CAMPOS PEREIRA, FELIPE SÁ CABRAL, SILVIA TAVARES MOURA e VINÍCIUS MALHEIRO

 

INTRODUÇÃO

Tendo-se tornado um dos esportes mais praticados no Brasil, em diversos níveis, o futsal cresce a cada ano principalmente com relação à sua profissionalização.

Para Amaral e Garganta (2005), o Futsal é atualmente o esporte com o maior número de praticantes tanto no Brasil, como nos demais países Sul- Americanos e também na Europa.

Figueiredo (2004), afirma que sob direção e comando da FIFA (Federação Internacional de Futebol Association), nos últimos 15 anos, o futsal ganhou maior visibilidade em nível internacional. Algumas evidências ratificam, minimamente, tal assertiva, como, por exemplo, a regularidade da Copa do Mundo - 1989 (Holanda), 1992 (Hong Kong), 1996 (Espanha), 2000 (Guatemala) e 2004 (China).

A participação, no último Mundial, de dezesseis países dos cinco continentes; a confirmação da sua inclusão nos Jogos Pan-Americanos de 2007; a filiação à FIFA de mais de 130 países praticantes de futsal (SAAD, 1997).

Por conseguinte, é possível constatar que o futsal encontra-se em franca ascensão e sinaliza para um futuro promissor.

Segundo Voser (2003), é importante ressaltar que as capacidades técnicas, táticas e físicas evoluíram paralelamente as constantes mudanças de regras.

A partir das alterações nas regras do jogo que permitiram o goleiro atuar fora da sua área de meta, tornou-se imprescindivel para ele possuir, qualidades técnicas de jogador de linha, assim como noção de cobertura à sua defesa, no caso de um contra-ataque do adversário ou de um passe nas costas dos marcadores. (MUTTI, 1999).

Para Fonseca e Trentin (2004), a boa atuação do goleiro no jogo de futsal pode desencadear o êxito ou o fracasso de sua equipe. De sua ação defensiva surge a garantia de que as falhas defensivas de seus companheiros, associadas às virtudes ofensivas da equipe adversária, não desencadearão maiores conseqüências. Por outro lado, sua ação ofensiva, cada vez mais importante, pode proporcionar a vitória da equipe.

Embora sua atuação seja de suma importância, é ainda um tema pouco abordado. Infelizmente, após as alterações nas regras, existem poucos estudos que analisam e comparam a atuação do goleiro como um jogador ofensivo.

Sabendo-se que a Copa do Mundo de Futsal da FIFA - 2008 teria sede aqui no Brasil, aproveitamos a oportunidade de analisar os melhores jogadores do mundo, uma vez que todos os jogos seriam televisionados, facilitando assim sua análise.

Diante dessas informações, para que haja a possibilidade de verificar a atuação dos goleiros da Copa do Mundo de Futsal da FIFA – 2008 que ocorreu entre os dias 30 de setembro a 19 de outubro, com sede no Rio de Janeiro e Brasília, objetivamos analisar a técnica do goleiro como jogador ofensivo, por meio de uma pesquisa áudio-visual prospectiva, de caráter qualitativo e quantitativo para que haja a possibilidade de correlacionar a mudanças das regras com a maior atuação do goleiro.

 

8. PESQUISA AUDIO-VISUAL

 

Para análise e coleta dos dados, foi realizada uma avaliação áudio-visual, prospectiva, de cunho descritivo e com análise quantitativa, para isso, foi utilizado uma ficha avaliatória, conforme modelo em anexo, criado por estes pesquisadores, baseado nos estudos descritos por VOSER (2003) e APOLO (2004) com relação às técnicas ofensivas do goleiro de futsal.

 

8.1. Materiais e métodos

 

Participaram da amostra do estudo, os 50 goleiros inscritos, sendo todos eles, profissionais de futsal, do sexo masculino, integrantes das suas respectivas seleções, que foram analisados em jogos válidos pela Copa do Mundo de Futsal, organizado pela FIFA, realizado no dia 30 de setembro a 19 de outubro de 2008, nos que ocorreram nos Ginásios Nilson Nelson e Maracanãzinho, nas cidades de Brasília e Rio de Janeiro, respectivamente.

Foram analisados 46 dos 56 jogos realizados na Copa do Mundo de Futsal – 2008, totalizando aproximadamente 82%  do total de jogos.

           

8.3. Discussões da pesquisa

 

De acordo com os dados obtidos, com relação à atuação do goleiro de futsal da Copa do Mundo como jogador ofensivo, podemos observar que a maioria dos passes executados, ou seja, 92,77% foram bem sucedidos, achados esse explicado por APOLO (2004), que acredita que a probabilidade maior de acerto do passe, deve-se principalmente à sua distância (curta e média), a sua trajetória (rasteira) e a sua execução (com a parte interna do pé).  Acreditamos que o bom domínio, o posicionamento adequado de sua equipe, e ainda a falta de marcação em cima do goleiro, favorece que o mesmo esteja livre na hora de executar o passe.

Foi visto que 74,08% dos chutes em gol, não foram em direção a meta adversária ou ocorreu qualquer tipo de interceptação do mesmo em relação à trajetória da bola. Isso se explica devido, ao tamanho da quadra (40 metros de comprimento por 20 metros de largura) e a zona de atuação do goleiro, que por estar longe da meta adversária, deve finalizar com mais força, aumentando a probabilidade de errar a finalização segundo Ferreti (1999).

Em relação, aos lançamentos com o pé, obtivemos 63,78% de erros. Isso ocorre, por ser um passe longo, com a trajetória alta e tendo que percorrer uma distância acima de 20 metros. O lançamento deve ser forte, com o intuito de dificultar a interceptação do adversário na trajetória da bola, o que aumenta a probabilidade de erro.

Nos lançamentos com as mãos, houve um relativo equilíbrio, entre acertos e erros, entretanto 59,51% foram os lançamentos realizados corretamente. Justifica-se, tal equilíbrio, por ser um fundamento de maior precisão, conciliando velocidade e força, evitando assim, que o adversário corte a trajetória do lançamento, fazendo com que a bola chegue ao seu destino (FONSECA, 2001).

Segundo Fonseca (2001), atualmente, o goleiro atua como líbero na sua quadra defensiva. Tivemos essa comprovação nessa Copa do Mundo de Futsal. No total foram 116 antecipações feitas pelos goleiros, sendo que 83,63% foram antecipações em que o goleiro não se preocupava em dar seqüência ao lance, e sim evitar uma manobra ofensiva do adversário, saindo da sua área de meta para evitar um gol, fazer coberturas dos seus defensores, evitando assim um contra-ataque, e que a bola chegue ao adversário. Já 16,37% das antecipações, além de evitar um lance que poderia ocasionar um gol, o goleiro ainda fazia com que sua equipe ficasse com a posse de bola, para que possivelmente pudesse ligar um contra-ataque.

Muitos treinadores nessa Copa do Mundo de Futsal utilizaram seu goleiro como um jogador ofensivo. Alguns utilizavam com o intuito de superioridade numérica (5 contra 4), com a finalidade de buscar um gol ou até mesmo utilizar essa vantagem para passar o tempo de jogo. Pudemos observar que a grande maioria dos goleiros ofensivos participava do jogo para trocar passes com seus jogadores de equipe, com o intuito de deixá-los em condições claras de gol, foram 19 gols partindo dessa situação, onde o goleiro iniciava uma jogada que terminaria em gol para sua equipe.

Outros treinadores optaram pelo goleiro como um finalizador, o que não teve muito sucesso, ocorrendo somente 3 gols, pois a defesa de suas equipes estavam muito bem preparadas para essas situações e também devido ao tamanho da quadra ser muito grande, o goleiro acabava ficando longe da meta adversária, facilitando a defesa do goleiro adversário.

As equipes se mostraram muito bem preparadas, quanto à marcação do goleiro como um jogador ofensivo. Durante essa Copa do Mundo de futsal, ocorreram erros de passes, chutes e domínio, resultando em um total de 8 gols por erros dos goleiros, para as equipes adversárias.

 

9. CONCLUSÃO

Desde as mudanças nas regras, poucos são os estudos feitos que analisem a atuação do goleiro como um jogador ofensivo. No entanto, nesta pesquisa ficou nítido que a alteração da regra em relação à atuação do goleiro, atingiu algumas alterações interessantes nos jogos de futsal, pois estão acontecendo maiores números de gols, principalmente com a participação dos goleiros, com muitos lances de contra-ataque velozes, deixando os jogos cada vez mais dinâmicos.

Em nosso estudo, houve um percentual de acerto de passes muito maior que o de chutes e o de lançamentos com o pé, porém devemos ressaltar que os dados obtidos nas fichas avaliatórias foram realizadas em quadras grandes (40 metros de comprimento por 20 metros de largura), situação essa que desfavorece o chute. Porém houve um grande índice de antecipações dos goleiros sem a posse de bola, evitando um contra ataque adversário, conseqüentemente não sofrendo o gol.

Portanto, recomendamos que os técnicos de futsal fizessem modificações nos treinos técnicos e físicos dos goleiros e aplicassem novos planos táticos na utilização do goleiro como jogador ofensivo. Outro fator que aumentará a qualidade do goleiro é se este treinamento for iniciado nas categorias de base, sendo assim, a criança irá desenvolver seu fundamento técnico e tático e sua performance ficará mais apurada e correta. Claro que o trabalho nas categorias de base deve ser feito de acordo com cada idade e estágio de evolução da criança. Mas com certeza planejando e realizando bem, trará muitos benefícios aos futuros goleiros.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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